Nudez Mortal

Cenário: Nova Iorque. Ano 2058.

A tenente da Divisão de Homicídio Eve Dallas, recebe um chamado para investigar um caso de assassinato em que a vítima é a neta de um importante político, junto com isso, uma ameaça: mais cinco estão marcadas para morrer. Durante o processo de investigação, ela conhece Roarke, um multimilionário com “boca de poeta e rosto de anjo caído”, dono de um par de olhos azuis e um leve sotaque irlandês, emana poder e perigo, e é também, o principal suspeito de cometer o crime. Durante o processo de investigação, a tenente se envolve romanticamente com o suspeito, o que pode colocar em risco o caso investigado e até mesmo sua carreira de dez anos dentro da policia.

Existem vários pontos importantes no decorrer da trama, destaco em primeiro lugar os aspectos tecnológicos. O livro foi escrito originalmente em 1995 – 63 anos de distancia entre o tempo real e o imaginário. A autora nos dá um vislumbre do que imaginava que existiria de aparelhos e equipamentos que facilitariam o dia-a-dia, talvez impulsionada pelo “boom” dos avanços científicos. Estão nessa lista, aparelhos como telelinks, autochefs, computadores de mão e carros voadores. Não existe uma descrição muito detalhada desses itens, o que nos deixa livres para que possamos imaginá-los como quisermos. Por outro lado, uma coisa não muda: a violência. Uma frase chama muito a atenção e é repetida diversas vezes durante o livro: “armas do século XX, para cometer crimes típicos do século XX, por motivos comuns ao século XX”. Vemos aí, uma certeza para a autora: por mais que a tecnologia avance e o mundo evolua, a natureza humana permanecerá a mesma, seja embasada pela maldade, sede de poder e egoísmo ou pelo senso de justiça e humanitário.

O outro aspecto fundamental e o mais importante é a relação entre os protagonistas. Ambos sofreram muito na infância: fome, abusos de diversos tipos e abandono. Ambos se reconstruíram: ela defendendo a lei, ele burlando a lei. Eve, devido ao que passou na infância criou um muro intransponível, bloqueando qualquer acesso aos seus sentimentos e Roarke, com toda doçura, movido pelo amor que o domina, atravessa aos poucos essa muralha e faz brotar o seu lado mais sensível e humano, transformando-os, criando a partir daí, uma unidade. Roarke tem uns rompantes românticos, tornando-se assim, o sonho de muitas leitoras: sente necessidade de cuidar e de proteger sua amada, guarda consigo como um amuleto um botão que caiu da roupa dela na primeira vez que se encontraram, quer lhe oferecer o mundo. Ela, pela dificuldade em confiar em alguém, não consegue no inicio (e isso perdura até metade da série) se entregar totalmente, o que nos provoca um pouco de inquietação já que ele é o homem dos sonhos.

Os personagens secundários também são fundamentais. Considero como os mais importantes: o Capitão Fenney, ex-parceiro de Eve e podemos em alguns momentos, considerá-lo como a figura de um pai. E a Dra Mira, psiquiatra da policia, trabalha com perfis psicológicos e consegue fazer com que Eve exponha um pouco da sua vida pessoal. É uma relação linda e também, podemos imaginá-la como uma figura materna.

Esse livro é recheado de crimes, investigação policial, romance, superação de limites, formação de laços de amizade e de companheirismo, e um desfecho com ação e suspense, digno de ser considerado um dos melhores romances policiais que já foi escrito.

Esse livro, é só o começo…

Testemunha Mortal

Drama. Comédia. Suspense. Assassinatos. Ação. Amor. Sexo. Poder. Compaixão. A mistura desses ingredientes, compõe de uma forma maestral o enredo desse livro. Em Testemunha Mortal, a tenente Eve Dallas, tem que desvendar o assassinato de um dos mais importantes atores da atualidade, morto durante a estréia de uma peça, diante de milhares de expectadores. Durante o processo de investigação, a tenente se depara com uma vítima que era odiada por seus colegas de profissão e que tinha um passado desprezível. Ele usava mulheres novas e belas para seu deleite, depois as descartava e as humilhava.

A parte dramática está presente desde o início, pela audácia e frieza com que o crime foi planejado. As atuações dramáticas estão presentes nos interrogatórios. A vivência dramática está representada pelo sofrimento da tenente ao se deparar novamente com a linha tênue entre a sua história de vida e as histórias e vivências dos envolvidos. Chega a ser dolorida a parte em que Eve se confronta com esse passado tão presente.

E, como não poderia ser diferente, a parte dramática também está presente no ato final, em um elaborado plano de ação policial para forçar o assassino a se entregar. As cenas cômicas estão perfeitamente diluídas no desenvolvimento da trama. Peabody e Eve, protagonizam como sempre, cenas hilarias, com diálogos bem amarrados e notamos também o aumento da relação de amizade entre essas duas incriveis personagens. O suspense está presente o tempo inteiro. O clima de mistério chega a ser muito semelhante ao de Agatha Christie.Essa autora chega a ser citada assim como suas obras, e só para deixar registrado, existe muito spoiller dos livros da Agatha. O que quebra um pouco esse clima de mistério Agatha Christie, é a ação policial para acaptura do suspeito.

Temos aqui a presença e participação mais ativa de um policial que se tornará importante na série, o gracinha do Troy Trueheart, ele sofre um acidente durante a operação policial, o que nos mostra um outro lado da tenente, um lado protetora que talvez nem ela sabia que existia, pois, na minha opinião ela confude esse sentimento com culpa e responsabilidade. Foi uma das cenas mais comoventes do livro, em que ela testa o limite entre o incentivar a participação e o aprimoramento pessoal e o proteger os membros da sua equipe. Paixões. O amor está no ar em todo o livro. Temos o desabrochar da relação de Peabody e MacNab, este protagoniza uma cena linda em que pede conselhos de Roarke, sobre como conquistar a Peabody. do lado do nosso casal “mara”, a tenente enfrenta a grande operação de fazer um jantar romântico para seu marido, a cena de amor protagonizada pelo casal, entra na meu top five de cenas de amor entre Eve e Roarke, a entrega e completa, e percebemos o quanto eles evoluíram enquanto casal. Simplesmente lindo! Sexo e Poder.

O que gerou ódio, o motivo do crime. Compaixão. É a primeira vez que Eve não se sente feliz em buscar justiça para seus mortos e sente compaixão pelas verdadeiras vitimas da história inteira, a assassina e a filha que ela tentava proteger. É uma peça de teatro em forma de livro. Uma autora fantástica que consegue ter um ritimo de escrita que homenageia a “Rainha do Crime”, mas sem perder de vista o seu estilo próprio.